02 abril 2011

Catequese: pisar o chão da vida de nossas comunidades

Estimados catequistas e agentes evangelizadores em nossas comunidades.

Continuando nossa caminhada quaresmal, somos interpelados a uma autêntica conversão a fim de celebrarmos a Páscoa dos Senhor em nossas comunidades de fé e na caminhada de nosso povo.

Neste 4º domingo, somos agraciados com o texto do cego de nascença (Jo 9,1-38 ). Muito significativo para a nossa caminhada de discípulos e em especial para aqueles que possuem a missão de motivar para o verdadeiro seguimento de Jesus.

O cego de nascença no evangelho de João simboliza todos aqueles e aquelas que fazem parte de maneira desfavorável de um sistema excludente e marginalizante. A pertença a este sistema está tão impregnada na pessoa do cego, síntese dos excluídos, que este o é deste o nascimento. Acomodando-o nesta situação, não o deixando sequer com a possibilidade de pedir algo tão maravilhoso: enxergar. A sociedade também estava anestesiada diante de tal situação, tornando-se também insensível a ela, aceitando-a como normal, intocável e sem soluções. O cego simplesmente está lá. Não consegue pedir nada e ninguém pede por ele.

Jesus com o gesto de fazer um pouco de barro com a própria saliva quer ensinar os seus discípulos que a solidariedade e o comprometimento com os irmãos consistem em uma ação menos complexa do que às vezes imaginamos. A solução para o problema estava mais perto do que se pensava. Perto dos pés (barro) e na boca (saliva). Só que ninguém teve a coragem de agir com ousadia e de maneira significativa em favor do cego.

Caríssimos catequistas e anunciadores do evangelho. Com certeza nos deparamos muitas vezes com situações semelhantes a esta: crianças e jovens marginalizados desde o nascimento; famílias desestruturadas; comunidades adormecidas e sem ânimo para lutar pela dignidade de vida, acesso a saúde, trabalho, momentos de lazer e outros. A solução para o problema talvez não esteja tão longe, mas perto. Porém, exige-se uma postura autêntica dos discípulos de Jesus, uma mudança de atitudes e uma verdadeira conversão de nossa ação pastoral, coragem e humildade de fazer barro com a própria saliva. Um gesto simples, mas comprometedor, demonstrando a ousadia do abaixamento até o chão, simbolizando o abaixar-se até a vida de nosso povo.

Este abaixamento se faz necessário em nossa missão evangelizadora. Muitos batizados, ou comunidades inteiras nunca nos pedirão. O cego também nada pediu; a iniciativa foi de Jesus. Nós catequistas devemos ter a sensibilidade de agir com justiça evangélica em favor dos menos favorecidos, levando a todos os ensinamentos do evangelho conforme o mandato do próprio Jesus.

Caríssimos catequistas, esta é a nossa missão: coragem para pisarmos o chão da vida de nosso povo e ousadia para realizarmos uma frutuosa ação missionária.

Que Deus abençoe a todos vocês, iluminando-os para que sejam autênticos iluminadores. Contem sempre com as minhas orações.


Pe. Francisco Carlos Neto
Assessor Arquidiocesano de Catequese

 
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